Contextualizações, problematizações e propostas de intervenção
As intensas mudanças climáticas têm afetado a economia, em especial a
agricultura de diversos países; imposto a necessidade de imigrar em
busca de sobrevivência para milhões de pessoas.
Praticamente todos os cenários futuros previstos pela ciência em
decorrência da intensificação do Efeito Estufa são catastróficos.
A dificuldade de transformação, mesmo frente a tantos sinais
evidentes, da matriz energética mundial para uma versão mais limpa e
sustentável frente à dependência atual de combustíveis fósseis é vista
por muitos cientistas como um risco muito sério para o futuro da
humanidade.
Dentre as maiores dificuldades para lidar com as mudanças
climáticas, destacam-se a dificuldade de rever o modelo econômico
centrado na exploração da natureza, o receio de estadistas do mundo
inteiro de tomar decisões de Governo mais sustentáveis serem motivos
para desacelerar a economia, etc.
Investimento global e de grande porte em energias renováveis e mais
limpas é fundamental para melhorar a qualidade de vida nas cidades e
para evitar o recrudescimento das mudanças climáticas em nível mundial.
Reurbanização das cidades e criação de bairros urbanisticamente mais
razoáveis para que as pessoas dependam menos de formas de locomoção que
não sejam a caminhada e o uso de bicicleta.
Conscientizar as pessoas sobre a necessidades de consumirem menos e
de forma mais inteligente para diminuir a pressão crescente sobre
recursos naturais que são finitos na maioria das vezes.
Criar toda forma de incentivo para a criação, produção e consumo de
máquinas e processos que sejam mais eficientes energeticamente.
Diminuir drasticamente o desmatamento no mundo inteiro.
"Bilhões de nós morrerão e os poucos casais férteis de pessoas que
sobreviverão estarão no Ártico onde o clima continuará tolerável."
(James Lovelock)
"Temos
que ter em mente o assustador ritmo da mudança e nos darmos conta de
quão pouco tempo resta para agir, e então cada comunidade e nação deve
achar o melhor uso dos recursos que possui para sustentar a civilização o
máximo de tempo que puderem." (James Lovelock)
Interdisciplinaridades
Aspectos geográficos associados às matrizes energéticas mundial e brasileira.
Causas e consequências do desmatamento e de queimadas ilegais.
Evolução do pensamento de que riqueza só se constrói com a
exploração não sustentável de recursos naturais. É possível fazer um
histórico desde a Revolução Industrial nos séculos XVIII e XIX.
Contextualizações, problematizações e propostas de intervenção
As recentes crises na produção energética que elevaram o preço desse serviço público no Brasil.
O risco de apagão energético que frequentemente é anunciado pela mídia.
Incentivo para que casas, comércios e indústrias sejam transformadas
em pequenas usinas eólicas e solares a fim de que possam ser até mesmo
independentes energeticamente ou mesmo possam fornecer energia excedente
para a rede pública.
Sobretaxação da energia elétrica em função do consumo per capita
perdulário e injustificável, já que a falta de energia elétrica
prejudica a todos.
Devem ser criadas campanhas perenes de conscientização sobre o risco
de escassez e a necessidade de uso racional da energia elétrica por
meio da simples economia, da compra de eletroeletrônicos mais eficientes
energeticamente, etc.
Fomento da pesquisa em universidades públicas por meio de regras
especiais na concessão de bolsas ou mesmo de linhas de pesquisa
solicitadas pelo Estado sobre temas de interesse público como fontes de
energia alternativas.
Criação de políticas de longo prazo e realistas de gestão da matriz
energética brasileira, com o intuito de torná-la mais limpa, eficiente,
barata, renovável e ecologicamente sustentável.
Modernização da estrutura de transmissão e distribuição para que não
se dissipe energia ao longo do percurso entre os locais em que ela é
produzida e os locais em que ela é consumida.
Os estudos da Geografia sobre matriz energética, sobre fontes de energia, sobre eficiência energética..
História do desenvolvimento das fontes de energia.
3. Mobilidade urbana
Contextualizações, problematizações e propostas de intervenção
É um importante fator para se avaliar a qualidade de vida e
humanização das relações humanas e organizacionais em centros urbanos.
É condição básica para o desenvolvimento econômico e social de uma cidade.
As manifestações de junho 2013, organizadas pelo movimento Passe
Livre, e os desdobramentos dessas que estão entre as maiores
manifestações populares da história do Brasil.
A questão da mobilidade em grandes eventos como a Copa do Mundo no Brasil e as Olimpíadas no Rio em 2016.
Ampliação das ciclovias e da estrutura para recepcionar o ciclista
(vestiários, locais para guardas as bicicletas, etc.) em locais de
grande aglomeração de pessoas como indústrias, instituições
educacionais, etc.
Criar ou respeitar rigorosamente planos diretores municipais para
que construções sejam feitas em cidades apenas depois e de acordo com
estudos científicos e de acesso público acerca da viabilidade delas
quanto ao impacto na mobilidade urbana no bairro ou área onde será
construída a obra.
Fomento da pesquisa em universidades públicas sobre meios, maneiras e
alternativas para melhorar a qualidade do transporte urbano público no
Brasil.
Implantação de pedágio urbano com preço que desestimule o uso
contínuo de carro para ir a áreas mais populosas e movimentadas da
cidade, mas que não inviabilize o uso do carro em situações esporádicas e
de extrema necessidade.
Criação de bairros autossuficientes com escolas, indústrias, centros
comerciais, etc., que tornem desnecessário sair do bairro onde se mora
para levar o filho à escola, comprar pão, etc.
Estimular a flexibilização de horários de entrada e saída do
trabalho e mesmo das relações trabalhistas, para que as pessoas possam
entrar e sair do trabalho de forma mais diversificada ou possam
trabalhar com mais frequência em casa se possível.
Fazer estudos de logística e criar regras para reduzir drasticamente
a quantidade de caminhões no interior das cidades em horários com
grande movimentação de pessoas.
Diversificação dos modais de transporte utilizados nas cidades a fim
de possibilitar ao cidadão múltiplas combinações de modais para
completar um trajeto.
Criar estações que integrem variados modais de transporte urbano e
coletivo para facilitar o uso de diferentes tipos de transporte para
completar um percurso.
Ampliação dos corredores exclusivos para transportes coletivos.
Criação de políticas de longo prazo e realistas de gestão do
trânsito nas cidades brasileiras. Especialmente nas médias para que não
passem no futuro pelos problemas das grandes.
Desenvolver, se possível, hidrovias como meio de transporte público dentro de cidades que tenham condições para tanto.
Os aspectos sociológicos da mobilidade urbana associada à desigualdade econômica, de oportunidades, educacional, etc.
A ocupação desordenada do espaço urbano em função de uma urbanização
pouco ou nada planejada da maioria das cidades brasileiras é
determinante para entender os desafios da mobilidade urbana hoje.
As consequências da opção governamental e cultural por transportes rodoviários feita no pós-Guerra.
A cultura do carro no Brasil: “status”, realização pessoal e símbolo de prosperidade social.
4. Desigualdade de gênero
Contextualizações, problematizações e propostas de intervenção
Aprovação do feminicídio pela Câmara.
Aprovação de cotas para mulheres na política.
O impacto da Lei Maria da Penha na violência contra a mulher.
Criação de políticas para estímulo e regulamentação da ocupação de
cargos políticos eletivos, por exemplo, garantir por lei que metade das
cadeiras do legislativo sejam ocupadas por mulheres.
Defesa e manutenção do estado como instituição laica, já que se sabe
que várias religiões têm cada vez mais fieis fundamentalistas, que são
cada vez mais representados por políticos com mesma inclinação
ideológica, a saber: o interesse de rechaçar e desarticular conquistas
históricas das mulheres ou mesmo impedir o amplo empoderamento feminino
na sociedade.
Criar campanhas permanentes e mais diretas para combater a violência
contra a mulher em todos as instâncias, espaços e circunstâncias.
Criação de leis que de fato igualem direitos e deveres de homens e
mulheres em relação aos filhos, à casa, ao trabalho, etc. Exemplo disso é
a diferença de prazo entre as licenças maternidade e paternidade.
“Lavagem cerebral, o paradoxo da Teoria do gênero” – documentário.
Quando se procura o mal na
História, vê-se que sempre foi causado por uma pessoa ou um grupo sobre outros,
seja por causa da raça, do gênero, da preferência sexual ou da religião. Isso é
universalmente incorreto e impede a paz! (Drey Barrymore)
"Uma mulher
pode fazer qualquer
coisa, conseguir o que quiser, contanto
que não
se apaixone." (Joan Crawford)
"O homemprocura a felicidade,
a mulher a espera." (Severo Catalino)
“Se um
homem bate na mesa
e grita, está impondo controle. Se a mulher
faz o mesmo, está perdendo o controle.” (Bárbara
Soares)
Discussões amparadas pela História para entender a evolução das
funções e expectativas sociais e culturais sobre homens e mulheres.
A história e as contribuições do feminismo para a promoção da igualdade de gênero.
A questão do gênero pelo mundo.
Os direitos conquistados por mulheres desde o direito ao voto no início do século XX em muitos países, inclusive no Brasil
Questões biológicas e psíquicas que aproximam ou diferenciam homens de mulheres.
5. Limites para o humor e liberdade expressão
Contextualizações, problematizações e propostas de intervenção
A importância de refletir sobre como o humor é construído e sobre os limites possíveis ou não entre a piada e a agressão.
O humor como mecanismo de crítica social e política.
O ataque terrorista ao Charlie Hebdo e a intolerância em relação ao outro e ao divergente.
As muitas questões jurídicas associadas a humoristas processados no Brasil.
Liberdade de expressão absoluta ou tornar as pessoas livres para
serem grosseiras, preconceituosas e intolerantes por meio de piadas?
A importância de melhorar o acesso das pessoas à Justiça para que
possam saber como lidar com o fato de serem motivo de alguma piada que
as tenha prejudicado. Além disso, é também relevante pensar sobre
velocidade inexistente do aparato jurídico para julgar essas demandas.
“Fiquem
tranquilos, os poderosos que têm medo de nós: nenhum humorista atira pra
matar.” (Millôr Fernandes)
"Humor
é ódio. E todo humorista é no fundo um mal-humorado." (Otto Lara Resende)
"O
humor é uma invenção especialíssima do senso comum." (Henri Bergson)
“Não
há humor moderno ou antigo. Há humor engraçado ou sem graça.” (Chico Anysio)
Interdisciplinaridades
A questão da liberdade de expressão no contexto histórico brasileiro.
As interações entre liberdade de expressão e democracia.
As questões jurídicas associadas à reparação de danos causados por uma piada.
A importância histórica do humor como forma de crítica social,
política e comportamental em momentos como a Ditadura Militar no Brasil,
a Revolução Francesa, a questão de gênero e de etnia em vários países
do mundo.
6. Saúde pública e epidemias
Contextualizações, problematizações e propostas de intervenção
O risco de uma epidemia mundial de uma doença de fácil e rápida
transmissão que poderia afetar o mundo inteiro em dias em função da
velocidade com que pessoas do mundo todo locomovem-se mesmo entre os
pontos mais distantes do mundo.
Educação e comunicação são mecanismos importantes para alertar e
conscientizar as pessoas sobre o risco de epidemias e sobre como se
portar no caso da ocorrência de uma delas.
Acesso livre e desvinculado de pressupostos religiosos a formas de evitar epidemias como a de aids.
Falta de controle sanitário mais rigoroso e sofisticado em
fronteiras brasileiras faz com que muito se tema a fácil entrada e
alastramento de uma epidemia como o ebola no Brasil.
Falta de mobilização da comunidade científica e dos Governos em
favor do bem comum que poderia ser gerida eficientemente por
organizações transnacionais como a ONU, Cruz Vermelha, MSF, etc., a fim
de evitar ou mesmo combater epidemias em escala local e mundial.
Investimento vultoso em pesquisas quando dos primeiros surtos de
doenças altamente contagiosas oriundo de fundos internacionais ou
nacionais criados para esse fim e aplicados em instituições públicas ou
governamentais de pesquisa no Brasil.
Falta de consciência científica da maior parte da população a
respeito de saúde pública para contrapor costumes culturais, tribais,
ancestrais, etc., que possam favorecer a propagação e a intensidade da
epidemia.
Questões biológicas a respeito das consequências fisiológicas dessas doenças.
Aspectos matemáticos da progressão de uma epidemia.
Recortes históricos associados a epidemias como a Peste Negra, a
Gripe Espanhola, a sífilis ao longo da História, a aids, o ebola, etc.
7. Drogas
Contextualizações, problematizações e propostas de intervenção
Ao longo da
História, em especial, durante o século XX, as drogas suscitaram
intensas discussões sobre questões que parecem ainda estar indefinidas,
tais como: os critérios para tornar uma droga ilegal, os benefícios e
malefícios do consumo delas, criminalizá-las ou não, legalizá-las ou
não, etc.
O termo droga teve
origem na palavra “droog” (holandês antigo) que significa folha seca;
isto porque antigamente quase todos os medicamentos eram feitos à base
de vegetais desidratados.
Segundo o Conselho
Nacional Antidrogas (Conad) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), a
partir de um ponto de vista médico, drogas são substâncias naturais ou
sintéticas usadas, independente da forma (ingerida, injetada, inalada ou
absorvida pela pele), para produzir alterações nas sensações, no grau
de consciência, no estado físico ou no estado emocional de um indivíduo.
Sob um olhar mais
amplo, pode-se dizer que as drogas servem há milênios como um meio de
aproximar os seres humanos de divindades em rituais, para o lazer e o
hedonismo, para minimizar ou solucionar os efeitos de doenças ou
ferimentos, para facilitar a fuga de situações desagradáveis
(escapismo), para relaxar a mente e o corpo e para controlar pessoas e
povos. Essa definição de drogas inclui maconha, cocaína e heroína, mas
também café, chocolate, remédios convencionais, ayahuasca, álcool
e tabaco. Do ponto de vista jurídico, existem as drogas livres, que
podem ser compradas sem controle (álcool e cigarro); e as de uso
controlado (que podem ser compradas com receita médica); além, é claro,
as ilegais ou ilícitas, que dependem na maioria das vezes de ações
criminosas para serem adquiridas e consumidas.
Combate insistente,
severo e bem aparelhado da lavagem de dinheiro do tráfico de drogas para
que ele não possa ser convertido em riquezas legais capazes de comprar
imóveis, empresas, etc.
Fiscalização intensa
do financiamento de campanhas eleitorais para que o dinheiro do crime
organizado não possa ser usado como receita para políticos corruptos que
defenderão os interesses desses grupos no Legislativo ou no Executivo.
Criação de aparato
legal, técnico e administrativo capaz de eficientemente dificultar que
as grandes somas de dinheiro geradas pelo narcotráfico sejam
transferidas para os grupos e pessoas que os controlam verdadeiramente,
mas que não são o alvo mais frequente das investigações policiais.
Criação de uma rede
pública e laica de clínicas de reabilitação para atender de forma
técnica, científica e democrática aqueles que escolherem se tratar da
dependência química.
Criação de programas
de acompanhamento ambulatorial que, para muitos pesquisadores, é a
estratégia mais eficientes para reinserção familiar e social de
dependentes químicos.
Criação de campanhas
amplas, diretas e perenes sobre os riscos do uso de drogas tanto em
instituições educacionais quanto nos meios de comunicação de massa.
Legalização das
drogas, importante ressaltar algumas questões como: o tráfico não será
liberado e nem acabará, deve-se especificar quais drogas podem ser
legalizadas, etc.
O consumo de álcool apoiado pela família e estimulado pela sociedade.
O incalculável custo
social do álcool: dependência social, psicológica e fisiológica;
acidentes de trânsito; afastamentos do trabalho; faltas; violência;
etc.
O cigarro - malefícios para a saúde humana e para os cofres públicos.
Os calmantes, os moderadores de apetite, os barbitúricos, os antidepressivos: as drogas “faixa preta” e a “geração Lexotan”.
"Paraísos artificiais", Charles Baudelaire. - livro.
"Paraísos artificiais" - filme.
"Admirável mundo novo", Aldous Huxley - livro.
"Traffic" - filme.
"Narcos" - série.
"Ninguém
está imune ao desejo da euforia momentânea que as drogas causam. Mas quando
penso em tudo que perdi, lembro que não vale a pena." (Steven
Tyler)
"Droga não é o mal. A droga é
um composto químico. O problema começa quando pessoas tomam drogas como se
fosse uma licença para poderem agir como babacas." (Frank Zappa)
Interdisciplinaridades
A maioria das drogas
pode ser considerada psicotrópica. Esse é o grupo potencialmente mais
usado e mais danoso à saúde segundo a maioria dos especialistas. Elas
podem ser classificadas em três tipos, de acordo com a atividade que
exercem junto ao nosso Sistema Nervoso Central (SNC):
1. Depressoras da Atividade do SNC
Álcool;
Soníferos ou hipnóticos (drogas que promovem o sono): barbitúricos, alguns benzodiazepínicos;
Ansiolíticos
(acalmam, inibem a ansiedade). As principais drogas pertencentes a essa
classificação são os benzodiazepínicos. Ex.: diazepam, lorazepam, etc.;
Opiáceos ou narcóticos (aliviam a dor e dão sonolência). Ex.: morfina, heroína, codeína, meperidina, etc.;
Inalantes ou solventes (colas, tintas, removedores, etc.).
2. Estimulantes da Atividade do SNC
Anorexígenos
(diminuem a fome). Principais drogas pertencentes a essa classificação
são as anfetaminas. Ex.: dietilpropriona, femproporex, etc.;
Cocaína.
3. Perturbadoras da Atividade do SNC
De origem vegetal:
mescalina (do cacto mexicano); THC (da maconha); psilocibina (de certos
cogumelos); lírio (trombeteira, zabumba ou saia branca).
De origem sintética: LSD-25; Ecstasy; anticolinérgicos (Artane®, Bentyl®).
No século XX, depois do século XIX em que as drogas foram vistas com
inocência e mesmo de uma forma poética, ocorre a discussão científica e
ideológica sobre como separar as drogas lícitas das ilícitas, além de
ser um período de combate intenso da produção e do consumo de
entorpecentes. Tal medida teve como conseqüência a construção de um
imenso aparato repressor contra os entorpecentes, o que teve como
resposta a organização de um amplo esquema criminoso de produção e venda
de drogas, ao qual chamamos de narcotráfico ou crime organizado.
As três primeiras décadas desse século seriam conhecidas como “Belle
Epoque” ou como os “anos loucos”. Isso se explica pelo fato de drogas
como cocaína serem vistas como “chiques” , pela busca incessante por
prazer (hedonismo), por certa liberalização dos costumes, pela grande
oferta de entorpecentes, depois proibidos, em farmácias.
Principalmente no entre Guerras, ocorre a proibição das drogas nos
EUA. Cocaína, heroína e morfina “uso não-medicinal” (1909), álcool –
“lei-seca” (1920-1933), tabaco (14 estados norte-americanos - 1921),
maconha (1937), etc.
Com a proibição de várias drogas na primeira metade do século XX,
ocorre o crescimento do poder do crime organizado, a consolidação do
narcotráfico internacional e as drogas passam a ser um problema
policial, antes de uma questão de saúde pública.
No pós-Guerra, os jovens adotam, por questões algumas vezes
políticas ou como expressão simbólica de seus ideais, as drogas como
modo de protesto, de escapismo e traço formador de uma nova cultura
urbana e marginal - a contracultura. Entre elas destacam-se o bebop
(jazz), os poetas beatniks, os hippies (“flower-power”), o rock’n’roll e
o reggae.
Na década de 1960, ocorre amplo uso de maconha e LSD-25 em função do
surgimento do movimento hippie. As drogas nesse momento são usadas como
forma de expandir a consciência e fomentar experiências de coletividade
e socialização. Na década de 1970, as drogas assumem outro papel
associado ao hedonismo, ao sucesso e à liberalização dos costumes. Essa é
a década da cocaína.
8. Uso de celular, viciados em tecnologia
Contextualizações, problematizações e propostas de intervenção
A sociedade é cada vez mais mediada por recursos tecnológicos que
tem interferido fortemente na cultura e no comportamento das pessoas.
Cada vez mais pessoas têm desenvolvido comportamentos obsessivos e
doentios em relação ao modo como usam "smartphones" e "tablets", essa
nova cultura tem interferido na forma como as pessoas relacionam-se
afetiva, profissional e culturalmente.
Proibir o acesso à tecnologia não parece ser muito eficiente, não só
porque é impossível coibir totalmente essa prática, mas também porque
trata-se de ferramentas excepcionais as quais não podem ser
negligenciadas, enfim o abuso não pode impedir o uso consciente e
produtivo.
É urgente uma revisão do entendimento de educadores a respeito de
como usar essas ferramentas dentro de sala por meio de cursos que tornem
familiares aos professores as tecnologias que os alunos usam.
Incentivo governamental por meio de leis de fomento ou isenção de
impostos para empresas que criem aplicativos ou tecnologias acessíveis
em todos os aspectos para auxiliar a educação de forma a tornar a
relação com a tecnologia mais produtiva e saudável para todos envolvidos
no processo educacional.
Incentivo à criação de fóruns de debate ou disciplinas para que os
próprios alunos possam sugerir e criar estratégias ou mesmo aplicativos
que possam ajudá-los em sala.
Estabelecer regras universais debatidos multilateralmente sobre
limites éticos para o desenvolvimento, a venda e o uso de tecnologias,
aplicativos, etc.
“Numa época de tecnologia avançada,
o maior perigo para as idéias, para a cultura e para o espírito pode mais
facilmente vir de um inimigo sorridente que de um adversário que inspira o
terror e o ódio.” (Aldous Huxley)
Interdisciplinaridades
Debates associados às ideias de estudiosos da mídia, como os membros
da Escola de Frankfurt, podem ser interessantes. Entre os nomes desse
grupo, destacam-se: Max Horkheimer (filósofo, sociólogo e psicólogo
social), Theodor Adorno (filósofo, sociólogo e musicólogo), Erich Fromm
(psicanalista),Herbert Marcuse (filósofo) e Walter Benjamin (ensaísta e
crítico literário). As ideias de Malcolm MacLuhan e Pierre Lévy também
podem ser muito bem empregadas no contexto da discussão das questões
culturais associadas à tecnologia.
9. Questão indígena
Contextualizações, problematizações e propostas de intervenção
Reivindicações a respeito das dificuldades acerca do processo de
demarcação de terras indígenas ocupadas comprovadamente por esses povos
há séculos.
Discussão sobre o estabelecimento de meios, fóruns e espaços
democráticos de debate para que os povos indígenas passem a influir no
futuro de suas próprias comunidades.
Questões acerca da atuação de missões religiosas, científicas ou de
qualquer natureza, legais ou não, como meio de combater a aculturação e a
biopirataria.
Fomento incipiente da integração dos índios à cultura brasileira
contemporânea de forma ao menos minimamente soberana e autônoma.
“A nação que não esperou por Deus” – documentário.
"Terra vermelha" - filme.
“A Alemanha fez penitência pelo
holocausto. Mas o Brasil ainda deve a sua pelo que fez com os índios e os
negros.” (J.Lutzsenberger)
Interdisciplinaridades
A questão da integração ou do isolamento de índios em relação à sociedade contemporânea brasileira.
A história da relação entre portugueses e índios, entre jesuítas e
índios e entre a sociedade brasileira contemporânea e os índios
remanescentes.
Comparações acerca da diversidade de culturas indígenas no momento do Achamento do Brasil e na atualidade.
A imagem do índio na Literatura e na Pintura brasileiras.
10. Saúde e beleza
Contextualização, problematização e proposta de intervenção
O número expressivo de cirurgias plásticas no Brasil é um indicativo da importância que a “indústria da beleza” tem no país.
São muitos os casos de mortes causadas por erros médicos em cirurgias estéticas.
O crescimento do setor de cosméticos mesmo em meio a crises
econômicas é um fator importante para entender essa obsessão cultural
por determinados ideais de beleza.
Beleza e saúde devem ser entendidas como projetos de longo prazo
associado à alimentação, a exercícios físicos moderados e a uma vida
equilibrada.
Investimento maciço, contínuo e nacional em políticas de saúde
pública voltadas para a medicina preventiva e o envelhecimento saudável.
Criação de carreiras federais atrativas para profissionais de saúde
como enfermeiros, fisioterapeutas, dentistas, médicos, etc. Entre outras
razões, como forma de atraí-los e fixá-los em regiões mais carentes
desse tipo de profissional, tanto para promover uma saúde mais global
para todos os brasileiros como para serem importantes agentes de
esclarecimentos sobre o risco de tratamentos estéticos sem
acompanhamento médico, de dietas sem comprovação científica, etc.
Articulação da formação médica e de saúde pública com as
necessidades da população e com políticas de saúde focadas no bem
coletivo, na medicina preventiva, no diagnóstico ético e no entendimento
da saúde como uma ideia abrangente que abrange o modo de vida, o
comportamento, os hábitos, etc., de um indivíduo.
Investimentos na criação e avaliação constante de programas que
humanizem o atendimento das pessoas que procuram o Sistema de Saúde
Público (SUS), por quaisquer razões, mesmo porque a ideia de saúde é um
conceito vago que passa pela aparência, pela autoestima,etc.
Os problemas graves de saúde provocados pela obsessão pela beleza e
pela magreza como anorexia e bulimia que são doenças comuns, que
acometem muitas modelos e garotas jovens inadvertidas sobre o discurso
visual inalcançável para a maioria veiculada pela indústria da moda
fundamentalmente.
“Se a vida é realmente um concurso de beleza, como afirmou o
estilista Thierry Mugler, nos resta esperar ter nascido numa época em
que as normas de beleza correspondam às nossas características
naturais.” (Lars Svendsen)
“Vivemos numa época, contudo, em que as infelizes almas nascidas com
a beleza ideal de uma outra época tem mais oportunidade que nunca de se
adequar a seu próprio tempo. Há limites para o grau em que um corpo
pode ser modificado por meio de cosméticos, penteados e exercícios, mas
uma intervenção mais direta através da cirurgia plástica (tirando um
pouco aqui, acrescentando um pouco ali) põe visivelmente o ideal de
beleza próprio de qualquer época dada ao alcance de um número cada vez
maior de pessoas.” (Lars Svendsen)
“A beleza feminina é uma terrível enfermidade. De fato, a beleza
causa na mulher um desgaste interior, macio, insidioso, fatal. E, no
fim, a mulher bonita se volta contra si mesma, com tédio e ira de todos
os seus dons plásticos. Toda mulher bonita leva em si, como uma lesão na
alma, o ressentimento. É uma ressentida contra si mesma. Olhe a Marilyn
Monroe. Morreu tão linda e tão só.” (Nelson Rodrigues)
“Dizes que a beleza não é nada? Imagina um hipopótamo com alma de
anjo... Sim, ele poderá convencer os outros de sua angelitude - mas que
trabalheira!” (Mário Quintana)
“A beleza é um bem frágil.” (Ovídio)
"A verdadeira beleza é interior, e é somente essa que torna as
pessoas radiosas. A cirurgia plástica deve limitar-se a tornar normal
aquilo que não é."(Ivo Pitanguy)
“História da beleza”, Umberto Eco (org.)
"Anorexia, a ilusão da beleza" - filme.
"História da beleza no Brasil", Denise Bernuzzi De Sant'anna - livro.
Interdisciplinaridades
O conceito de belo na Arte e na Estética.
A evolução da ideal de beleza feminino na Arte.
Os riscos fisiológicos e psicológicos de cirurgias plásticas feitas de forma clandestina.
As implicações biológicas de transtornos alimentares graves como a bulimia e a anorexia.