NARRAR
Narrar é relatar fatos e acontecimentos, envolvendo
ação e, portanto, movimento. Há personagens atuando e um narrador que relata a
ação. A narração é um tipo de texto marcado pela temporalidade, ou seja, como
seu material é o fato e a ação que envolve personagens, a progressão temporal é
essencial para o seu desenrolar: as ações direcionam-se para um conflito que
requer uma solução, o que nos permite concluir que chegaremos a uma situação
nova. Portanto, a sucessão de acontecimentos leva a uma transformação, a uma
mudança e a trama que se constrói com os elementos do conflito desenvolve-se
necessariamente numa linha de tempo e num determinado espaço.
Elementos da narrativa:
a)
O
narrador: é o dono da voz ou, em outras palavras, a voz que nos conta os
fatos e seu desenvolvimento. Dependendo da posição do narrador em relação ao
fato narrado, a narrativa pode ser feita em primeira ou em terceira pessoa do
singular. Temos, assim, o ângulo, o ponto de vista, o foco pelo qual serão
narrados os acontecimentos (daí falar-se foco narrativo).
Na
narração em primeira pessoa, o
narrador participa dos acontecimentos; é, assim, um personagem com dupla
função: o personagem-narrador. Pode ter uma participação secundária nos
acontecimentos, destacando-se, desse modo, seu papel de narrador, ou ter
importância fundamental, sendo mesmo o personagem principal. Nesse caso, a
narração em primeira pessoa permite ao autor penetrar e desvendar com maior
riqueza o mundo psicológico do personagem. É importante observar que, nas narrações
em primeira pessoa, nem tudo o que é afirmado pelo narrador corresponde à
“verdade”, pois, como ele participa dos acontecimentos, tem uma visão própria,
individual e, portanto, parcial deles. A principal característica desse foco
narrativo é, então, a visão subjetiva que o narrador tem dos fatos: ele narra
apenas o que vê, observa e sente, ou seja, os fatos passam pelo filtro de sua
emoção e percepção.
Já
nas narrações em terceira pessoa, o
narrador está fora dos acontecimentos; podemos dizer que ele paira acima de
tudo e de todos. Essa situação lhe permite saber de tudo, do passado e do
futuro, das emoções e pensamentos dos personagens – daí ser chamado de narrador
onisciente (oni + sciente, ou seja, “o que tem ciência de tudo”, “o que sabe
tudo”). O narrador onisciente “lê” os sentimentos, os desejos mais íntimos da
personagem (aliás, o narrador vê o que ninguém tem condições de ver: o mundo
interior da personagem) e sabe qual será a repercussão desse ato no futuro.
b) O enredo: é o esqueleto da narrativa,
aquilo que dá sustentação à história, o que a estrutura, ou seja, é o
desenrolar dos acontecimentos (é a linha se entrelaçando, formando a malha, a
trama, a rede, o tecido, o texto). Geralmente, o enredo está centrado num
conflito, responsável pelo nível de tensão da narrativa. É o conjunto dos fatos
encadeados que constituem a ação de uma obra de ficção (teatro, romance, filme,
novela, etc.)
c) Os personagens: são os seres que
participam do desenrolar dos acontecimentos, aqueles que vivem o enredo. Em
geral, o personagem bem construído representa uma individualidade, apresentando
traços psicológicos próprios. Há também personagens que representam tipos
humanos, identificados pela profissão, pelo comportamento, pela classe social,
enfim, por algum traço distintivo comum a todos os indivíduos dessa categoria.
d) O ambiente (espaço): é o cenário por
onde circulam personagens e onde se desenrola o enredo. Em alguns casos, a
importância do ambiente é tão fundamental que ele se transforma em personagem.
Por exemplo: o Nordeste, em grande parte do romance modernista brasileiro; o
colégio interno, em O Ateneu, de Raul Pompéia; o caso mais nítido está em O
cortiço, de Aluísio de Azevedo.
e) O tempo: O narrador pode se
posicionar de diferentes maneiras em relação ao tempo dos acontecimentos – pode
narrar os fatos no tempo em que eles estão acontecendo; pode narrar um fato
perfeitamente concluído; pode entremear presente e passado, utilizando a
técnica de flash-back. Há, também, o tempo psicológico, que reflete angústias e
ansiedades de personagens e que não mantém nenhuma relação com o tempo
propriamente dito, cuja passagem é alheia à nossa vontade. Falas com “Ah, o
tempo não passa...” ou “esse minuto não acaba!” ou ainda “Esse minuto está
durando uma eternidade!” refletem o tempo psicológico.
A UFSC costuma solicitar a produção de GÊNEROS NARRATIVOS Exemplos: contos, crônicas, notícias, etc. A essência de tais textos é tipo narrativo [ e sua estrutura tradicional - descrita acima], com algumas particularidades que veremos em breve. Aguarde.
Até a próxima, pessoal.
Beijo!